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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Gravidez na adolescência

A adolescência é a faixa etária de maior vulnerabilidade do ponto de vista biopsicosocial, definida cronologicamente como o período compreendido entre 10 e 19 anos, no qual acontecem grandes mudanças físicas e psicológicas. Entre 10 e 14 anos ocorre o surgimento dos caracteres sexuais secundários e, entre 15 e 19 anos, a finalização do crescimento e desenvolvimento morfológicos (OPAS, 1995). Estas mudanças fisiológicas requerem uma grande quantidade de energia, interferindo nas necessidades nutricionais, além de constituir uma fase em que normalmente a alimentação encontra-se desbalanceada. Este período, portanto, constitui-se um risco para as carências nutricionais, especialmente as anemias. Este risco torna-se mais importante nas comunidades carentes, em que além da distorção dos hábitos alimentares ainda existe a falta de recursos financeiros para a aquisição dos alimentos.

Dentre os fatores de risco nutricional na adolescência, podemos citar o incremento das necessidades nutricionais (maior velocidade de crescimento e aumento da massa magra corporal); os hábitos alimentares inadequados (omissão de refeições, consumo freqüente de fast foods, dietas da moda); alterações biopsicossociais (doenças crônicas, medicação prolongada, abuso de drogas, gravidez e atividades desportivas em excesso). Diante destas alterações citadas, a adolescência é um período crítico tanto do ponto de vista nutricional quanto do psico – social. Sendo a nutrição um componente essencial na assistência à saúde do adolescente, a nutrição adequada e hábitos alimentares saudáveis têm importante papel no processo de crescimento, para que seja alcançado todo o seu potencial genético. É também fator contribuinte, na prevenção de doenças na vida adulta, já que é nesse período que se estabelecem os precursores das doenças nutricionais.

Dados da PNDS (1996) apontam que o baixo nível de escolaridade nos adolescentes apresenta correlação direta com a prevalência da gravidez: das meninas que têm até três anos de escolaridade, 29% já eram mães antes dos 18 anos, e 5% estavam esperando seu primeiro filho, na época da pesquisa (MS, 1997). Para as adolescentes com maior nível de escolaridade, que tinham de nove a 11 anos de escolaridade, somente 4% eram mães e 2% estavam grávidas do primeiro filho. A escolaridade funciona como um dos pilares mais importantes na relação da gravidez na adolescência. É na escola que os adolescentes vivenciam suas emoções do cotidiano e é também o fórum de discussão dos jovens. (Apud: Picanço, 1999)

Apesar das recentes quedas nas taxas de mortalidade em menores de cinco anos, e dos avanços na área da tecnologia de saúde, com o uso crescente de ações simplificadas de prevenção e promoção à saúde, o quadro atual da saúde infantil ainda é bastante alarmante. Um grande problema de saúde pública no Brasil, com prevalência bastante significativa, diz respeito à anemia carencial, definida pela Organização Mundial de Saúde (OMS), como um estado em que a concentração de hemoglobina sérica está anormalmente baixa, menor que 11g/dl, o que pode ser devido a carência de um ou mais nutrientes essenciais (ferro, ácido fólico, vitamina B12, cobre e vitaminas A, C e E) qualquer que seja a origem desta carência (OMS,1968).

A anemia ferropriva constitui uma das deficiências nutricionais de maior importância sobre a saúde do grupo infantil, trazendo uma série de comprometimentos ao pleno desenvolvimento destas crianças. A anemia está associada ao retardo do desenvolvimento neuropsicomotor, comprometimento da imunidade celular e diminuição da capacidade intelectual. Alguns estudos sugerem efeitos de longo prazo no desempenho cognitivo, mesmo que a deficiência de ferro seja revertida (OPAS/OMS, 1997)
Os principais fatores de risco para anemia na criança são: prematuridade, baixo nível sócio-econômico, baixo peso ao nascer, sangramento perinatal, baixa hemoglobina ao nascimento, hipóxia crônica, infecções freqüentes, alimentação inadequada com ingestão precoce de leite de vaca e/ou alimentos sólidos, ingestão freqüente e excessiva de chá, baixa ingestão de carne ou vitamina C, aleitamento materno por mais de 6 meses sem suplementação de ferro, ingestão de formulados infantis não fortificados com ferro por mais de 4 meses sem outras comidas. (Can Med Assoc J 1991; 144:1451-4)

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